STF forma maioria para condenar irmãos Brazão pelo assassinato de Marielle Franco
Vereadora do Rio de Janeiro, Marielle era mulher negra, LGBT, cria da favela da maré, socióloga e defensora dos Direitos Humanos .Foto: Tomaz Silva, Agência Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quarta-feira (25), para condenar os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, no Rio de Janeiro. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o voto do relator, que entendeu existirem provas de que os irmãos mandaram matar Franco e Gomes.
O julgamento, acompanhado por familiares e amigos da vereadora, ocorre quase oito anos após o crime que chocou o país e se tornou símbolo da luta por justiça e direitos humanos. Marielle Franco, defensora das comunidades e das minorias, foi morta em um atentado a tiros acompanhado da execução de seu motorista.
Além deles, o ex-policial militar Ronald Paulo Alves Pereira e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca também foram condenados por participação na organização criminosa armada e na tentativa de homicídio contra a assessora que sobreviveu à emboscada. Já o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi absolvido das acusações de homicídio, mas condenado por obstrução à Justiça e corrupção.
A decisão reforça o entendimento da Corte de que o assassinato de Marielle Franco foi planejado por interesses que se opunham à atuação política da vereadora e envolve redes criminosas e práticas de violência organizadas. Ainda faltam os cálculos finais das penas, que serão definidos nos próximos passos do processo.
O caso continua sendo acompanhado de perto por movimentos sociais e autoridades, que veem no julgamento um marco na busca por responsabilização em um crime que teve grande repercussão nacional e internacional.









